terça-feira, 12 de outubro de 2010

mistake



Passou o tempo, o segundo preciso, a hora... e os momentos já foram gastos, derramaram-se cinzas... porém eu ainda vejo, apesar do que lá foi estar longe, apesar de todo o cinzento de amargurar este céu, eu alcanço... confesso que retornei o caminho, fitei o tempo e o espaço, olhei para trás mas tu já não estavas... mas eu procurei e achei... vastos de alguém, de ti, não sei... estava escuro e por conseguinte ainda está... mas eu confessei, eu fitei o tempo, tudo continuou mas eu caminhei em sentido oposto à sua regulação... talvez ele me empate agora, por agora, talvez me perca por aqui mas eu ainda tenho uns vastos, algures pela minha roupa, num bolso que encontrei.... mas também é tudo uma suposição.... sinto que não quero parar de seguir o contrário, de quebrar as regras da vida, do minuto, sinto o caminho mais escuro e assustador... mas, para isso sempre tive a minha lanterna, que se foi na verdade gastando com o tempo mas é sempre tão necessária e certa, em qualquer lapso de instante ela acende por iniciativa própria, ela sente a mágoa a correr-me o rosto, é autêntica, 'é a minha lanterna', fabulosa... que vai secando as minhas lágrimas com toda a sua luz, tão fraquinha e pujante, capaz... vivida, mais do que toda a minha vivência, forte, inseparável, insubstituível, inabalável, 'ÚNICA'... a minha mãe... Ela, das poucas luzes que nunca se apagam para mim, que me aconchega sempre, quer esteja certa ou errada, ela entende... sei que por este caminho, sem nada saber dele, nem de mim, sem na verdade querer ir por aqui, ela se vai centrar sempre e me iluminará, em qualquer parte...
Ouço a sua voz ao longe, ela pede que me deite no seu regaço, que viaje por sonhos de menina, de criança, sem medo, que não teme dor... é sempre ela... 
O nevoeiro persiste e a chuva deste, daquele e do outro dia também... mas há algo mais... algo que vejo além da minha lanterna... um 'arco-íris' por entre chamas, cinzas, tristeza... 8 cores, todas diferentes, uma está apagada, fraca e conseguiu reduzir a força de todo ele... eu vejo sempre este aro-íris, é incrível como até em oposto ele continua aqui... nunca me deixa... é um porto amigo, que por de trás deste cinzento matreiro e inquietador tenta sempre brilhar, tenta sempre iluminar-me também... para que na verdade não me perca por esta escuridão... 8 cores... rodeadas de chamas... uma delas... uma delas brilha pouco... rodeou-se de cinzas e não me deixa ver... não me deixa...
Pensei por momentos em olhar o meu bolso mas ela não me deixa ver... não deixa.
Estas cores, esta luz, esta força, inacabável, este sorriso, este preenchimento puro, os meus amigos, estes... que mesmo em sentido contrário me acompanham e não me deixam ficar por aqui perdida... uma força de retorno contra o tempo... 

Mas, mas eu continuo aqui, a correr, a desafia-lo, o meu caminho não terminou... e ele próprio empatou, empatou-me...

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